O controle da temperatura do nosso corpo através da modificação do fluxo sanguíneo da pele é fundamental para regular as modificações da temperatura interna corporal, também chamada de homeostase térmica. Este processo é executado através do sistema vasoconstrictor e o sistema vasodilatador, que é responsável por 80 a 90% da vasodilatação cutânea em situações em que há um aumento da temperatura – aumentando assim o fluxo de sangue para a pele e promovendo um aumento de calor na superfície cutânea.
O fluxo da pele em condições térmicas ambientais confortáveis é de aproximadamente 250 mL/min, com uma dissipação de cerca de 80 a 90 kcal/h (correspondentes ao nível metabólico de produção de calor em repouso), porém aumenta substancialmente em resposta ao estresse térmico, chegando a 6 a 8 L/min durante uma hipertermia grave. Esta vasodilatação serve para a dissipação de calor durante a exposição ao calor ou exercício, mas pode ocorrer nos casos em que há inflamação ou infecção na pele ou nos tecidos subjacentes. Por outro lado, quando há exposição ao calor ocorre a vasoconstrição, que tem como objetivo preservar o calor interno através da restrição da perda de calor através da pele. Assim, alterações  do controle de fluxo de sangue na pele tem repercussões clinicas importantes e pode dificultar a manutenção da temperatura corporal normal.
Situações como a menopausa ou o diabetes mellitus II podem alterar o controle vascular cutâneo e contribuir para distúrbios que ocorrem quando a pessoa fica exposta a ambientes quentes. O interessante neste sistema de controle é que nos temos dois tipos de controle de nervos vasoconstrictores (que reduzem o calibre dos vasos para poupar calor) e vasodilatadores (que aumentam o calibre dos vasos para dissipar calor), contudo nas áreas das plantas dos pés e nas palmas das mãos nos só tempos nervos simpáticos vasoconstrictores, que quando não estão com um bom funcionamento, podem ser facilmente detectados através de sensores que registram a emissão de raios infravermelhos da pele – esta detecção chama-se termografia. Clinicamente, quando observamos micose nas unhas, dores nos pés, alterações de cor dos pés, joanete, podemos extrair mais informações através da realização da termografia pois acrescentamos dados sobre a circulação dos pés, que se tornam valiosas quando avaliamos as mais diversas situações clinicas.
Hábitos de comportamento
Frequentemente vemos hábitos de comportamento constrangedores e não entendemos sua razão, nem como fazer para combatê-los.  Um deles é a coceira na virilha, tão comum nos homens, principalmente nos dias quentes. Começa de maneira sorrateira em pequenos momentos do dia nos quais a sudorese aumenta e depois se estende a quase um ato contínuo.  O exame dermatológico auxilia o tratamento do problema no início, pois ao observar a região percebe-se uma área rosada ou  avermelhada que abrange a dobra da raiz das coxas e muitas vezes, bolsa escrotal. Geralmente, o que começa com uma assadura, evolui para uma extensa dermatite muito pruriginosa (coça absurdamente).
Alguns hábitos são facilitadores deste problema. Um deles é o uso da sunga de praia e até a cueca sem a correta lavagem e, as vezes, até um pouco molhada. Bactérias e fungos se alojam neste tipo de ambiente úmido, multiplicam-se livremente e são novamente atritados com a pele. As áreas de dobras – virilha, axilas, entre os dedos dos pés – são geralmente quentes e úmidas, por isso são um ambiente muito favorável aos causadores da micose e seus agentes agravantes, como as bactérias que precisam de pouco oxigênio e até bactérias oriundas das fezes.
Confesso que este tema é espinhoso mas de suma importância, pois alguns homens têm mais propensão a ter esta micose instalada na virilha, e uma dermatite de fácil tratamento pode estar encobrindo um hospedeiro favorável – como por exemplo um diabético ou pré-diabético.
Micose e diabetes andam juntas. Você sabia?
O exame clínico com o dermatologista e alguns exames complementares são suficientes para sanar o problema e conduzir os candidatos ao diabetes para um estilo de vida mais saudável, e caso seja necessário, o encaminhamento ao endocrinologista – especialista responsável pelo tratamento do diabetes.
É o que os pés fazem na ilustração deste texto? As unhas podem ser afetadas pelos fungos encontrados na virilha e servir de reservatório causando as deformidades presentes nas onicomicoses.
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